sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Medo e Ansiedade

Medo e Ansiedade: para que serve e como funcionam

O medo e a ansiedade não são sentimentos exclusivos da nossa espécie, outros animais também manifestam reações de medo como cachorros, cavalos, gatos e até mesmo tartarugas. Por que isso acontece? Por que temos que sentir medo ou ansiedade? Para que isso serve?
                Esses sentimentos existem para nos dar limites, e para isso precisam ser desconfortáveis. Uma pessoa sem limites é capaz de fazer qualquer coisa, inclusive colocar-se em situações de perigo.  Nesse sentido, o medo e a ansiedade agem como mecanismos de PROTEÇÃO, tanto para nós, quanto para os outros animais. 
              Uma vez que somos capazes de calcular riscos, podemos prever situações perigosas e nos protegermos, antes mesmo de acontecerem (como é no caso da ansiedade). O medo por sua vez é uma reação automática a um perigo iminente, ou seja, que esteja bem na nossa frente. Medo e Ansiedade estão relacionados com o que achamos e ou imaginamos que pode vir a acontecer, ou seja, estão voltados para o futuro e só aparece quando nos sentimos ameaçados ou em perigo ( ainda que este seja somente imaginário).
               Uma situação de perigo ( real ou imaginário) levará nosso corpo a responder de modo a lutar ou fugir. Geralmente fugimos quando temos alguma margem de tempo e lutamos quando estamos muito acuados. Assim nossas chances de escapar ilesos ou pelo menos vivos da ameaça aumentam, porém nosso corpo precisa modificar toda nossa estrutura para poderemos responder a essa situação, observe:
             Se estivermos frente a uma ameaça real, como um cachorro ou um ladrão provavelmente você sinta:
Ø  Seu coração disparar: é preciso muito sangue para irrigar braços e pernas.
Ø  Mais sangue = mais necessidade de oxigênio, por isso sua respiração fica mais ofegante ou têm-se a sensação de “ficar sem ar”.
Ø  Os músculos das pernas, braços, costas e abdome recebem mais sangue, a musculatura torna-se mais rígida (tensa)
Ø  Mãos e pés recebem menos sangue, por isso ficam geladas.
Ø  Se todo meu corpo produz mais energia, também produzo mais calor e conseqüentemente o suor aumenta para equilibrar a temperatura corporal.
Ø  O processo digestivo praticamente pára, é mais importante manter-se vivo do que fazer a digestão de um alimento, a boca seca e algumas pessoas tem a sensação de ficarem enjoadas quando ficam muito nervosas.
                           O objetivo de toda essa mudança é deixar-nos preparados para responder ao perigo, seja ele real ou imaginário. E para que luta ou fuga sejam realmente eficientes precisamos estar prontos o mais rápido possível.
        Um fato interessante é que nosso cérebro não está preocupado em avaliar se a interpretação que fazemos do perigo é real ou imaginária. Nosso cérebro por mais aprimorado que seja, não consegue fazer essa distinção. Às vezes uma avaliação distorcida pode gerar todos esses sintomas, como é o caso de uma barata. Racionalmente, quem corre risco de vida? A barata evidentemente.  Porém, mesmo assim muitas pessoas interpretam na barata uma grande ameaça, reagindo com sintomas físicos e fugindo rapidamente. Esse é um exemplo clássico do medo irracional. Geralmente não paramos para avaliar racionalmente, vemos algo que consideramos perigoso, nosso corpo reage e só depois paramos para avaliar.
        Se você reparar, diante de uma ameaça geralmente ficamos muito nervosos, é uma reação quase imediata. A primeira vontade é fugir, porém, embora a fuga leve a um alívio imediato a longo prazo só reforçará o medo e o tornará ainda mais forte. Porém, se enfrentarmos a situação perceberá que a ansiedade sobe, mas com o passar do tempo sua intensidade diminui. Se a ansiedade foi “feita” para nos proteger, ela não pode nos matar. Caso o quadro agudo de ansiedade permaneça por muito tempo (sem necessidade) pode levar o corpo a exaustão, então o próprio corpo trata de acabar com a descarga de adrenalina, restaurando o estado normal do nosso organismo. Você pode perceber isso em seu corpo, geralmente sentimos a ansiedade diminuir com o tempo.

        Uma vez que decidimos enfrentar o medo, da segunda e da terceira vez a intensidade das sensações serão cada vez menores. Ainda que seu medo seja muito grande e sua ansiedade parece insuportável, permaneça na situação, insista, não desista. Somente o enfrentamento poderá ajuda-lo a superar o medo. Lembre-se de avaliar o significado que tem dado para cada situação. 

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