segunda-feira, 25 de maio de 2015

Mas ele(a) pode mudar, não pode?

Bom essa é a nossa pergunta inicial, que tentarei responder ao longo deste texto.

Quando recebo pacientes que estão a procura de um relacionamento amoroso uma das primeiras tarefas que fazemos é: Elaborar uma lista com as características (físicas, gostos e valores, personalidade...) que a pessoa precisa ter e quais “defeitos” eu (paciente) tolero? Gosto de pensar que relacionamentos são feitos de pessoas imperfeitas, com seus erros e acertos, pensar quais as características positivas eu gostaria que ela(ele) tivesse, é fácil? Mas... essa pessoa não encaixará exatamente nos seus desejos, como os ditados populares insistem em dizer: “a tampa da minha panela” (com encaixe perfeito?), “a metade da minha laranja” (?!), ou ainda como os contos de fadas erroneamente afirmam: e a príncipe a beijou (na cena mais linda e perfeita, como o príncipe aliás) e foram felizes para sempre... que a música contradiz sabiamente “que o pra sempre, sempre acaba”.

É importante pensar o que você espero do relacionamento, assim como se perguntar quais defeitos você consegue aceitar, dentro dos seus valores e limites. É simples: tem “coisas” que você não aceitaria, outras dá para conviver... rsrsrs
O problema da pergunta inicial é justamente escolher alguém que para ser “ideal” precise mudar.  Ou que para que o relacionamento dê certo, precise se transformar em uma outra pessoa. Alguns ajustes até podem ser necessários, um aperfeiçoar-se, por isso, ele precisa ter aspectos que eu admiro e valorizo, com algumas imperfeições que podem ser relevadas, ou com um toque de delicadeza, lapidada.
É fato que por amor algumas pessoas mudam, e na maioria das vezes para melhor, mas isso não é uma regra. Conheci uma pessoa certa vez que para namorar com a garota que gostava parou de beber. Nesse caso ele mudou para melhor, porque deixou uma vida de bebedeiras, de bares, de inconsequências  e assumiu uma vida mais responsável e madura.

Um relacionamento que comece com uma perspectiva de mudança, já começa complicado. Mudar exige esforço, desejo e motivação. É preciso  querer. O que vemos com maior frequência é o “defeito” aumentando com o tempo. Vou usar novamente a bebida como exemplo, por ser um problema comum e que mesmo que você não viva um problema assim, será fácil de imaginar e compreender. Uma esposa que reclama das bebedeiras do marido, quando questionada como ele era antes do casamento, responderá: “ele já bebia, porém não era nessa intensidade e frequência”. O fato é que com o tempo algumas imperfeições se acentuam. E aí começam os desconfortos. Por isso, é necessário pensar quais defeitos, limites e dificuldades você consegue aceitar.



Voltando a pergunta inicial: Mas ele pode mudar, não pode? Sim, acredito que todos podem mudar, porém, como vimos acima, é preciso pensar se esse relacionamento realmente vale a pena, uma vez que já começa com uma perspectiva de mudança. Porém, há muitos casos que o relacionamento ajuda a melhorar, a curar feridas e a tomar atitudes diferentes diante de determinadas situações da vida. No entanto, gostaria de deixar essa reflexão aqui: por que para aceitá-lo e para darmos certo ele(a) precisa mudar? Vale a pena investir em um relacionamento assim? O outro percebe a necessidade de mudar? Ele(a) percebe essa mudança como necessária e como uma forma de aperfeiçoamento pessoal? Está disposto a mudar?

Também gostaria de colocar um outro ponto para refletir: por que você precisa que o outro mude? Essa mudança é realmente necessária, ou ela faz parte das suas inseguranças?


Esse post tem por objetivo proporcionar a reflexão, e não dar uma receita de como os relacionamentos podem ser mais prazerosos, afinal, se um relacionamento é feito de duas pessoas, teremos pelo menos duas visões diferentes, dois modos de responder à vida e dois modos de perceber o que acontece ao redor. Por isso, é preciso ter cuidado, não existe certo ou errado, mas modos diferentes de viver.


sexta-feira, 15 de maio de 2015

         Cadê meu príncipe? Virou sapo?

                                                   E a minha princesa, indefesa e delicada???




Relacionamentos nem sempre são perfeitos, mas gosto de dizer que eles são necessários. Somos seres criados para o relacionamento. Não fomos feitos para ficarmos sozinhos, muito pelo contrário, sozinhos adoecemos, enlouquecemos e morremos (não necessariamente nessa ordem - rsrs).

Quando seu relacionamento deixa de caminhar como você gostaria vale a pena elencar uma relação do que não está legal, e essa lista é fácil de fazer... mas além dessa é preciso parar para pensar no que está bem e principalmente em quais foram os motivos que fizeram com que um dia você decidisse unir sua história a dele (a). Quais eram os valores, os sonhos, as características pessoais.

Vivemos em uma sociedade descartável, onde tudo é trocado muito rápido.  Consertar não vale à pena. E às vezes fica mais caro... e isso é bem verdade quando falamos de aparelhos eletrônicos. Mas não é assim, não deve ser assim, quando falamos de pessoas, de histórias e de relacionamentos. Mudar exige tempo, não é somente resetar ou formatar.

Páre para pensar por que um dia valeu a pena, e analise com sinceridade, se desistir é realmente o caminho melhor e mais fácil. 

Gosto particularmente da frase de Guimarães Rosa que diz:
e bonito do mundo é isso: que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas, mas que elas vão sempre mudando. Afinam e desafinam.

Talvez o que precise acontecer seja justamente essa afinação, para que vocês voltem a tocar a mesma canção. Busque ajuda, em muitos casos a terapia de casal pode ajudar a encontrar caminhos possíveis e até mesmo lhe ajudar a identificar onde as mudanças precisam acontecer na vida do casal.

Tenho uma paciente que a primeira fala dela na sessão foi “meu casamento está por um fio e já vejo esse único fio se desprendendo. Estar aqui é a minha última aposta, minha última ficha.” Ambos passaram pela terapia individual, e agora estão juntos na de casal. E posso dizer com toda tranqüilidade que eles estão juntos e felizes. Buscando a coerência enquanto casal, retomando a intimidade, o diálogo e a conversa.

E você? Já pensou em fazer Terapia de Casal?  

Para finalizar, abaixo segue um trecho de uma das músicas do Teatro Mágico, pense um pouco se hoje você está no lado do FAZ DE CONTA ou do FAZ ACONTECER.


"No nosso livro, na nossa história, 
É faz de conta ou é faz acontecer?"








sexta-feira, 1 de maio de 2015

A mudança começa em mim primeiro

A mudança começa em mim primeiro


Quando recebo um paciente que reclama do comportamento do(a) companheiro(a) pergunto há quanto tempo isso acontece, ou há quanto tempo é assim? Na maioria das vezes a resposta é sempre! Opa? Sempre como cara pálida?!
Para continuar pergunto: o que fez com que você se apaixonasse por essa pessoa? E aí... para a assustadora maioria... descobrimos que geralmente nos apaixonamos pelas mesmas características que incomodam tanto hoje. Explico.
Por exemplo: “uma das coisas que me atraía nele era a tranquilidade, não era uma pessoa estressada e me acalmava na minha agitação – dizia uma paciente. Uma das queixas dessa paciente é que o marido não faz nada, o mundo pode estar caindo na cabeça dele e ele continua nessa tranquilidade que a incomoda!!!
            Exemplo 2: “ele era uma pessoa muito sociável, tinha papo pra tudo, sempre foi de fazer muitos amigos, fazia o estilo bonachão.” E hoje -  “Ele não ajuda em nada, mas vive marcando churrasco com os amigos aqui em casa, todo feriado a casa está cheia... e eu é quem fico com todo o trabalho enquanto ele fica fazendo sala... ahhh” e por aí segue.
E para finalizar um exemplo meu. Sempre disse ao meu esposo que uma das caracteristicas que mais admirava nele era a inteligência. Ele era o cara na faculdade que estudava, não ia para festas, se isolava no quarto estudando. Hoje ele está no Doutorado e às vezes o pego onde? Isolado no quarto estudando, mas ele não é assim hoje. Aliás na maioria das vezes o que nos incomoda hoje, já foi uma qualidade no passado, observe.
Como fazer então?
Brigas, discussões, exigências, “cara feia” ou qualquer outro comportamento agressivo não levará a lugar algum. Embora muitos maridos e namorados odeiem a sigla “D.R.”, discutir a relação é necessário algumas vezes, sem diálogo tudo tende a tornar-se mais dificil.  
Um bom jeito de conduzir essa discussão é mostrar do que você sente falta, ou como esse comportamento tem prejudicado em determinada situação, com objetividade e clareza. Ao invés de somente exigir, proponha soluções, pensem juntos.  Um relacionamento é uma construção onde a cooperação de ambos é necessária.
Ao conversar sobre o que não vai bem, selecione o assunto, não adianta reclamar de 10 comportamentos de uma vez ... escolha um ou dois, os demais você pode ir abordando aos poucos, em doses homeopáticas eu diria. Além disso, dê exemplos atuais, nada de buscar exemplos do fundo do baú para trazer a tona, aliás, isso é uma das coisas que mais cansam nas conversas.
Aprenda a olhar o que há de bom. Elogie. E ao perceber a mudança surgindo, elogie ainda mais. É preciso aprender a reforçar os bons comportamentos e iniciativas. Deixe de lado a afirmação “não fez mais que a obrigação!”. Quando falamos de relacionamento ninguém é obrigado a nada.
Se você deseja ver mudanças no mundo a sua volta, primeiro será preciso mudar seu mundo interno.  Sempre digo aos meus pacientes que “quando eu mudo minha postura diante de uma pessoa, é inevitável que ela mude também”.  
“Seja a mudança que você deseja ver no mundo” – Dalai Lama

Para ilustrar o que escrevo ao longo deste post indico o filme Prova de Fogo. Assista, vale a pena. Boa reflexão!!